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Desde 2006 que os CRAs mudam positivamente o financiamento do agronegócio.

A desintermediação bancária oferecida pelos CRAs permite a financiadores até então dotados de ativos gigantescos – mas ilíquidos – acessar o mercado de capitais com alta liquidez e pulverização do risco.

Saiba mais sobre o que são, como funcionam e o que é necessário para que você e sua empresa possam se beneficiar desse canal de capitalização.


O que são CRAs?

Anteriormente, expliquei como todo um ecossistema paralelo ao mercado de crédito tradicional surgiu nas últimas três décadas no Brasil para bombear o agronegócio. Um fenômeno recente nessa história é o CRA, com base legal na Lei 11.076/2004 e primeira emissão pública (ICVM 400) feita em 2012.  

Os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) são um método de desintermediação bancária; dentro do contexto histórico brasileiro de altas taxas de juros e dificuldade de acesso a crédito, permitem a players com ativos individuais ilíquidos convertê-los em em valores mobiliários com alta vascularização no mercado.

Os financiadores cedem recebíveis de sua carteira – constituídos por diversos tipos de documentos, tais como CPRs, duplicatas e, mais recentemente, CDA/WA – para as securitizadoras – únicos agentes no Brasil que podem fazer esse tipo de operação – que, por sua vez, estruturam a emissão de valores mobiliários no mercado de capitais. Dessa forma, o financiador converte um ativo ilíquido – suas contas a receber – em um título mobiliário extremamente líquido, acessível ao mercado de capitais convencional.

Esse mecanismo alcançou no mercado primário um total de R$14,5 bi em 2017, mas apresentou expressiva queda em 2018 – caindo para um mercado total de cerca de R$ 6,7 bi. O prognóstico, porém, é positivo: o crescimento do total negociado deve ser retomado ainda em 2019. Na figura abaixo, o montante total emitido e o número de operações vs ano são reportadas apenas para operações com risco concentrado, que compõe quase a totalidade das emissões dos últimos anos. 

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Quais as vantagens do CRA?

Para o originador dos recebíveis, as vantagens são claras:

  1. aumento de liquidez e remoção dos ativos do balanço contribuem para o uso mais eficiente do capital.
  2. O CRA atua na transferência de risco: o financiador pulveriza seu risco no mercado de capitais, pagando um prêmio pelo risco assumido pelos investidores individuais.
  3. Meio alternativo de financiamento ao mercado tradicional – muitas das empresas do agro não tem um patrimônio grande, essencial para acessar o mercado financeiro convencional, mas têm grande volume de contas a receber.

Do lado do investidor, o CRA oferece:

  1. retornos atrativos em renda fixa, embora a recente baixa da SELIC tenha diminuído o interesse por esses títulos em 2018;
  2. segurança – muitos CRAs são segurados pelo menos em sua cota sênior e a pulverização do risco oferece mais resiliência defaults ocasionais;
  3. diversificação da carteira – para pessoas físicas, CRAs são atrativos devido à sua descorrelação a títulos convencionais e são isentos de IR.

Como uma empresa pode transformar seus recebíveis em CRAs?

As únicas instituições que podem estruturar operações de CRA são as securitizadoras. Caso sua empresa queira realizar uma operação estruturada, você pode buscar uma securitizadora que organize o CRA.

Porém, devido ao rating de CRAs e à obrigatoriedade de lastro real, a originadora deve ter uma política sólida de concessão de crédito, visto que a ausência de garantias pode ser entendida como fraude contra o mercado de capitais. Isto é: para se beneficiar de outro canal de captação, sua empresa deve estar organizada, ter certeza de que suas garantias realmente existem e ter um processo claro para fornecimento de crédito.

A solidez da sua empresa é relevante para o rating e para a taxa paga no mercado.

Resumidamente, políticas que indiquem a saúde dos seus recebíveis e dados objetivos que comprovem a existência de garantias dão acesso à captação via mercado de capitais, dividindo seu risco e aumentando sua liquidez.


FIDES é nossa plataforma para segurança em operações financeiras no agronegócio através do monitoramento por satélites e análise de dados por IA. Através dele, financiadores do agro têm históricos completos de seus produtores – importantes para antes da operação – bem como monitoramento em tempo real da garantia – importante para o andamento da operação. As avaliações do lastro de suas contas a receber são essenciais para securitização.

Em breve, compartilharei um case sobre como a Octante usou o FIDES para avaliar os lastros de um de seus CRAs.

Dá uma passada no nosso site para garantir que não vai perder nenhum case ou artigo.


Fontes dos dados: B3 / Tlon / Estadão