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O CONACREDI AGRO, que aconteceu no dia 11 de junho, é um evento exclusivo para quem concede e recupera crédito no agronegócio. Contando com conteúdo especializado, networking qualificado e os tomadores de decisão do setor, o evento foi um sucesso.

Não conseguiu participar, ou não pegou todas as sessões? Nesse artigo, falo sobre alguns destaques do evento.


Tempos Líquidos

Quem acompanha nossos artigos e as notícias mais recentes do agronegócio sabe que estamos em um ponto de inflexão. Vivemos a dizimação de parte da suinocultura na Chinaa guerra comercial EUA-Chinao maior atraso de plantio da história do agribusiness americanoa lenta morte do crédito rural subsidiado e a criação da indústria da recuperação judicial de produtores rurais.

A manhã do evento endereçou a incerteza gerada pelo cenário macroeconômico e jurídico: o impacto das posturas adotadas no exterior pelo nosso maior concorrente no agronegócio (EUA) e pelos nossos maiores parceiros (China), as variações cambiais e de commodities, a inadequação de Chicago em definir preços, visto que agora o mercado mundial conta com atritos que tornam o mercado ineficiente.

Os chineses estão pagando prêmios extraordinários pela soja brasileira, a fim de poder fazer frente às taxas norte americanas – porém, como todos sabem, hedging de prêmios não é uma opção. Por outro lado, quem fornece crédito agora dorme exposto à recuperação judicial do produtor rural, cujo entendimento jurídico varia vertiginosamente.

Palestra de Alexandre Mendonça de Barros
(Palestra de Alexandre Mendonça de Barros)

Depois de expor o cenário, o evento mostrou opções para se preparar para esse cenário volátil: o financiamento pelo mercado de capitais, o uso de tecnologia para concessão segura de crédito, boas práticas e, caso a inadimplência por desventura ocorra, a recuperação de créditos estressados, já em write-off


Concessão e recuperação de crédito em tempos incertos

Se, por um lado, os fatores macroeconômicos contribuem para o sucesso do agronegócio brasileiro, nosso cenário interno, por outro, permanece hostil. A tabela de frete permanece uma ameaça tremenda ainda sem definição, motivo pelo qual vemos a redução das negociações a futuro, dificultando o hedging, bem como a indecisão judicial sobre a RJ de produtores. Esses todos são drivers para um aumento da taxa de juros, estrangulamento dos fluxos de crédito e resfriamento do mercado.

Por outro lado, temos a redução do crédito subsidiado e a redução da SELIC, ambos fatores que tornam competitivo o aumento do fornecimento de crédito a juros de mercado no agronegócio. Como disse com propriedade a ministra Tereza Cristina, Desmame‘ de subsídios não pode ser radical. Com a taxa de juros em patamares mais razoáveis como atualmente, essa alteração paulatina é viável.

Palestra sobre operações alternativas de financiamento
(Palestra sobre operações alternativas de financiamento

O cenário parece indicar uma ascensão do mercado de capitais como financiador do agronegócio por meio da securitização de recebíveis (CRAs) ou por fundos de direitos creditórios (FIDCs). Uma das palestras foi particularmente interessante por desmistificar a inacessibilidade do CRA e mostrar que ele é uma ferramenta extraordinária para financiamento de revendas de até mesmo médio porte. Não é inédito, também, que estruturas sejam feitas por sobre os recebíveis de mais de um credor. Qual a maior dificuldade? A existência (e seguimento) de uma política de concessão de crédito sólida, que impende diversos players de buscar essa alternativa.

Por fim, uma função em ascensão e que promete fornecer eficácia muito maior para o mercado é a recuperação de crédito já em write-off. O pessoal da Leaf Capital Partners explicou as vantagens da venda de dívidas dadas como perdidas (afinal, estavam dadas como perdidas!): a transferência de um risco quase que já realizado, a recuperação (mesmo que com deságio) do valor, a limpeza dos livros da empresa e, finalmente, a retomada do foco ao core business da empresa. Pela distância que outras casas de recuperação de crédito têm do agro, esse é um mercado ainda nascente e, no meu entendimento, com uma tremenda função: oferecer aos credores uma opção rápida de liquidar seus recebíveis estressados e retomar a relação comercial com os seus antigos devedores.


Levando em consideração todos os assuntos abordados – particularmente dos cenários de estresse do mercado – ficou claro que a qualificação da análise do crédito e a garantia da execução de todas as etapas da safra é mais essencial do que nunca.

O aumento da inadimplência, a conjuntura interna sombria e a situação de estresse vivida hoje pelos financiadores do agronegócio demandam uma postura ativa para que o coração do Brasil – o agro – continue batendo. Estamos chegando ao fim da safrinha de 2019 e, desde o início das operações do FIDES, tivemos 0% de inadimplência nas operações de todos os penhores que gerimos. É uma felicidade compartilhar essa jornada com vocês e esperamos que possamos ajudá-los a atravessar as invernadas.