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Na semana passada aconteceu o IX Congresso ANDAV, maior encontro da distribuição de insumos agropecuários de todo o Brasil. Segundo Henrique Mazotini, presidente executivo do evento, a edição desse ano, de extrema importância para todo o setor, teve foco bastante analítico.

“O nosso objetivo é unir diferentes visões de especialistas, profissionais, entidades e gestores, criando reflexões que incidem diretamente nos negócios e no cenário futuro da agricultura brasileira.”, declarou em entrevista para o RAgrícola.

A TerraMagna esteve presente em seu estande durante os três dias de evento. Além de ter visto diversos amigos e clientes, quero compartilhar um pouco dos assuntos que vimos serem discutidos durante o Congresso.


Insegurança jurídica no financiamento

aumento do risco do financiamento ao produtor rural está prestes a se multiplicar com a possibilidade de, na prática, haver pedido de Recuperação Judicial para pessoas físicas no agronegócio. Isso não passou despercebido pela audiência da ANDAV.

Em entrevista ao portal Notícias Agrícolas, o presidente da ANDAV, Henrique Mazzotini ressaltou a insegurança que esse processo traz não só para os distribuidores, mas também para o produtor que se verá frente a uma menor disponibilidade de crédito, uma vez que os financiadores, diante de um risco muito maior, estarão menos propensos a conceder recursos.

Levando em consideração que nos casos de RJs empresariais a conclusão bem sucedida para o financiador é de apenas 30% dos pedidos, o cenário não se mostra positivo.

Essa preocupação também foi tema da palestra “Inovando para Acesso ao Crédito” de Manoel Perez Neto, da Zurique Consultores Associados, que lembrou que enquanto em todo o ano passado, o setor agropecuário registrou 68 operação de RJ, apenas nos cinco primeiros meses de 2019 já foram realizadas 43.

Isso é uma escalada alarmante, ainda mais na medida em que empresas tentam recorrer para métodos judiciais heterodoxos para se proteger e, derradeiramente, acabam expostas juridicamente. A solução não é se debater contra as regras que – indubitavelmente – mudaram dificultando a vida de quem fornece crédito, mas aceitar que as ferramentas hoje disponíveis – ratings criteriosos e vencimento antecipado – são aquelas que podem ser usadas.


Distribuidor 4.0

Um termo muito utilizado durante o evento, o “distribuidor 4.0” se refere às revendas, tradings e fornecedores que, com o acesso à tecnologia, usam a seu favor dados das ferramentas digitais para baratear sua gestão e garantir seus recebimentos.

Mediante à um cenário incerto de crédito, empresas de tecnologia têm papéis essenciais na análise não só do históricos dos produtores rurais, como também na avaliação de suas capacidade real de produção, para ajudar na seleção de sua carteira de crédito.

Durante a ANDAV foi ressaltada a importância de empresas que forneçam a análise de dados não-convencionais para trazer para aos distribuidores a capacidade de agir com base em dados reais e isentos. Segundo a Embrapa, no Brasil, em 10 anos, o uso do celular e do smartphone cresceu 1.790% no campo.

“Hoje já se diz que os dados são o novo petróleo” afirmou Silvia Massruhá, diretora chefe do departamento de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Informática Agropecuária.


Lei Geral de Proteção de Dados

A importância dos dados coletados é tão grande e inevitável atualmente que ela já deverá obedecer a certas normas, muito em breve. A partir de agosto de 2020 deve entrar em vigência a Lei Geral de Proteção de Dados, assunto discutido pelo advogado Renato Leite, especialista em proteção de dados, no último dia de evento.

Segundo ele, o vazamento ou desvio de dados estará sujeito a punições estabelecidas por essa nova legislação que visa resumir e englobar as cerca de 50 leis que atualmente disciplinam a questão. Como lidam com dados financeiros – sensíveis -, é importante desde já que o distribuidor preocupe-se com a origem das fontes dos dados que recebem, a fim de evitar problemas futuros.


Adendo final: apesar de correr o risco de ser acusado de proselitismo, um tema novamente abordado na ANDAV foram as novas modalidades de acesso ao crédito, ligadas ao mercado de capitais, como os CRAs. Estamos vendo neste ano o reflorescimento desse mercado após o inverno de 2017/18 e torço para que as emissões continuem crescendo no ritmo positivo que vemos hoje, em breve potencializado pela MP da CPR e do CRA em dólar.