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Com o dinheiro do Plano Safra 2019/20 sendo liberado mais tarde este ano, os produtores rurais não conseguiram usufruir da prática de usar os juros do empréstimo da safra passada para financiar o novo plantio.

O crédito a juro controlado, com taxas maiores que a Selic, fez com que o interesse se voltasse mais para o crédito privado. Isso reforça a tese de que o atual sistema de crédito rural está ultrapassado e não atende mais a demanda do agro

As operações de Barter foram então a grande aposta para custear o início dessa nova produção. Porém, com os atuais desafios desta safra como a instabilidade do clima e a alta do dólar, é preciso estar atento para garantir o recebimento.


Plano Safra 2019/20

O período em que são feitas as compras dos insumos e a negociação dos financiamentos sempre foram um momento crucial para o produtor rural, mas o Plano Safra 2019/20 começou marcado por um perda de timing.

No Paraná, por exemplo, produtores ficaram sem dinheiro para financiar o plantio nos meses de maio e junho. O governo segurou o pré-custeio com juros controlados até que o atual Plano Safra fosse anunciado, mas isso só aconteceu no dia 18 de junho.

O dinheiro do Plano – que entrou em vigor em 1º de julho – chegou aos bancos apenas 12 dias depois, inviabilizando a espera para o início do plantio.

“Tradicionalmente, continuava-se usando os juros do Plano Safra anterior até o lançamento oficial dos recursos do novo plano. Neste ano não foi assim. Até existiam ofertas de empréstimo de instituições como Banco do Brasil, Santander e Caixa, mas a juros de mercado, o que afugentou os produtores”

– avalia o consultor Carlos Cogo

Diante da alta dólar, com a produção mais cara devido à compra necessária de insumos muitas vezes de origem estrangeira, o produtor rural não viu os empréstimos bancários, com taxas de juros de mercado, como uma opção viável para financiar sua produção.


Barter atualmente

A solução para iniciar a produção foi a aposta nas operações de Barter. Através da garantia da entrega de parte da produção como pagamento pelo financiamento, os produtores viram a operação como uma opção mais interessante que os juros bancários.

Cerca de 40% a 45% das compras de insumo do Brasil, durante a Safra 2019/20 já foram feitas através de Barter, mesmo com as taxas de juros desse tipo de operação já tendo subido nesta safra, devido ao alto índice de inadimplência na safra passada.

Para garantir o timing do início do plantio, tendo em vista os picos do dólar e os prêmios nos últimos meses, 25% da produção esperada para 2019/20 foi negociada até agosto deste ano, o que corresponde a um crescimento de 3.5% referente ao ano passado, segundo o IMEA.


Tornando o Barter uma operação mais segura

O Barter obviamente se mostrou uma oportunidade para garantir a safra atual, mas tem a característica de ser uma operação de risco. É preciso estar atento à diversos pontos e ter uma gestão eficaz do penhor agrícola para que os grãos sejam efetivamente recebimentos no final da colheita.

Antes mesmo da formalização do contrato, para garantir que você não está financiando uma produção maior que a real capacidade do produtor, é necessário conhecer o histórico da terra. Delimitar a área útil, saber quais foram as culturas anteriores e estimar as datas de início e término do plantio são pontos essenciais para serem analisados na fase pré-financiamento.

O clima é também uma preocupação constante. Segundo a Somar Meteorologia, talvez haja formação de La Ninã com risco de estiagem no Cone Sul da América Latina, o que engloba os Estados do Rio Grande do Sul e Paraná. As chuvas excessivas no Centro-Oeste entre os meses de janeiro e feveiro também devem dificultar a colheita na região. Situações como essas podem afetar a janela de produção não apenas da safra atual, como das próximas.

Estar atento ao timing do plantio pode garantir o sucesso da safra 2019/20. Uma vez que os custos de produção estão maiores, devido à alta do dólar principalmente, analistas alertam para a necessidade de aproveitar os picos de alta da moeda estrangeira e de prêmios nos portos para garantir margens confortáveis.

“As últimas safras foram muito boas pela ótica de preços. Mas agora os estoques americanos e argentinos estão elevados e a demanda chinesa está menor, o que limita os ganhos nessa frente”

– Victor Ikeda, analista do Rabobank

Tal como um carro potente, mas frágil, que não consegue operar em qualquer tipo de terreno, o crédito rural subsidiado encontrou seu atoleiro no atraso do Plano Safra. Por outro lado, nosso 4×4, pronto para qualquer terreno – o Barter – foi o que nos possibilitou atravessar o lamaçal e levar nossas lavouras à segurança.

A prática desse tipo de operação se mostra uma alternativa essencial para o crescimento do agronegócio. Ela apresenta riscos, mas é possível minimizar a maior parte deles ao se tomar um cuidado especial com seus principais pontos sensíveis.

A tecnologia empodera o financiador para a tomada de decisões baseadas em dados. Esse é o objetivo do FIDES, nossa plataforma de segurança em operações de crédito no agronegócio. Através do mapeamento via satélites e análises feitas por inteligência artificial, sua próxima operação pode se tornar mais segura.