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A Safra 2019/20 trouxe desafios inéditos para o produto rural. Apesar da boa demanda, principalmente impulsionada pelo comércio exterior, o custo da produção de soja no Mato Grosso foi o maior da história. Preocupado com o timing da safra, o produtor buscou fontes mais baratas e rápidas para financiar sua lavoura.

Essa busca por alternativas de financiamento também esteve presente no meu artigo da semana passada, quando debati sobre como a emissão dos CRAs cresceu 75% no ano passado.

Hoje, quero falar um pouco sobre como a busca por recursos a juros livres fez com que os bancos – sistema financeiro e bancos com recursos federais – dominassem mais de 30% do financiamento da Safra 2019/20 e quais as oportunidades que isso traz para os investidores.


Cenário atual

O Mato Grosso, Estado com a maior produção de soja de todo Brasil, é uma referência quando se trata da oleaginosa.

Na Safra 2019/20, com a valorização do dólar e os altos preços dos fertilizantes no início do ano passado, os produtores rurais dessa região se viram diante do maior valor de produção dessa cultura, em toda a história do Brasil, que chegou a custar 10,4% mais que a safra anterior – o equivalente a R$2.302 por ha, totalizando um investimento de R$22,5 bilhões.

Mas, mesmo com o custo elevado de produção, devido à alta demanda, o produtor ainda investiu bastante. A demanda internacional e a própria valorização do câmbio aumentaram internamente o preço da soja. Por consequência, a área cultivada no Estado cresceu e atingiu a marca de 9,78 milhões de ha.


Quem financiou as produções?

Com a urgência de agilizar o capital para não perder a melhor janela de plantio, e em busca de juros mais competitivos, o produtor se apoiou nos recursos do sistema financeiro.

Entre todos os agentes do mercado, o sistema financeiro foi o único que aumentou sua participação no financiamento do agro. Com a redução da taxa Selic e o aumento dos juros no Plano Agrícola Pecuário (PAP), o produtor achou mais atrativo os financiamentos sem o subsídio governamental. O menor tempo de aprovação de crédito e a não limitação de recursos por CPF, tornaram essa opção ainda mais atrativa.

Enquanto todos os outros lutavam para manter a média, o sistema financeiro cresceu 7% da última safra para a atual, agregando uma fatia de mercado de R$2,1 bilhões. Os recursos desse segmento, de forma geral, substituíram os de fontes federais nos players que os bancos já atendiam, ou seja, a fonte do dinheiro passou a ser outra.

Um dos principais motivos de recuo dos demais agentes foi justamente a dificuldade da análise de risco no agronegócio. As multinacionais (de agroquímicos, fertilizantes, sementes e grãos) foram mais criteriosas na concessão de crédito enquanto as revendas, apesar de manterem o mesmo share de mercado devido, principalmente, à entrada de recursos internacionais, diminuíram a exposição ao risco e reduziram o crédito nessa safra. Ambos agentes focaram suas negociações em operações de barter.

Devido à motivos como esses, os recursos livres do sistema financeiro já vem crescendo há 6 anos. A tendência é que continuem aumentando, com índices inéditos previstos para a safra de 2020/21. O movimento já começa inclusive a ser percebido, uma vez que os produtores estão aproveitando o bom momento dos preços para começar a negociação dos insumos para a próxima safra.

A tradição é dos bancos atuarem, principalmente, nos maiores segmentos do agro. O grande desafio, necessário para que essa evolução seja cada vez mais notável, é passar a atender também os segmentos de médios e pequenos produtores.


Com a perda de poder aquisitivo para financiar sua própria produção – que caiu de 40% em 2015 para 19% atualmente -, o produtor precisa buscar recursos externos que tragam vantagens competitivas.

O interesse por empréstimos a juros livres mostra que o campo é fértil para quem quer financiar o agro, porém é preciso ter segurança em suas operações financeiras.

O risco, assim como em todas operações de crédito, é o que faz o financiamento custar mais caro para esse produtor e, como sabemos, o agro muitas vezes assusta o investidor desacostumado com a falta de previsibilidade de fatores como a instabilidade climática.

O papel da tecnologia não é só trazer mais segurança nas operações financeiras para o financiador do agro mas, com a diminuição dos riscos, fazer com que o produtor tenha acesso à mais e melhores opções de crédito. Assim, toda a cadeia de produção ganha e, consequentemente, nosso agronegócio evolui cada vez mais.