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No agronegócio, podemos dizer que temos quatro grandes problemas na agricultura: logística, armazenagem estática, problemas no seguro e custo do crédito. No Brasil, temos muita cobertura referente a ganhos incrementais, tais como no gerenciamento para dentro da porteira ou no manejo de pragas. Porém, problemas para fora da porteira – referentes à infraestrutura – são sistêmicos e atingem silenciosamente a rentabilidade do produtor rural.

Cada um desses problemas tem características únicas que, de maneira geral, agem diretamente na margem do produtor rural:

A logística: O desafio da logística refere-se à baixa qualidade do escoamento da safra, que sofre com os problemas de infraestrutura. Apesar do grão brasileiro ser, na porteira, um dos mais baratos, o transporte deixa nosso custo total similar ao de outros países. Isto é, os maiores custos logísticos reduzem diretamente a margem do produtor.

A armazenagem estática: Refere-se à capacidade de protegermos nossa safra da volatilidade do mercado e não termos que vender no preço atual. Na falta de armazenagem, por vezes, resta a venda do grão no mercado spot, caso sua venda (“trava”) no mercado futuro não tenha sido feita. Na medida em que precisam vender no preço à vista, os produtores ficam expostos à volatilidade da commodity e reduzem suas margens.

O seguro: O maior fator de risco na agricultura é o clima. Há quem deseje ser remunerado por se expor a esse risco (as seguradoras e resseguradoras) e aqueles que servem de fonte de exposição, devido à sua atividade (os produtores rurais). Para que faça sentido nas duas pontas, o valor dos prêmios pagos aos tomadores de risco deve ser compatível com a perda esperada historicamente. No mundo inteiro, a compatibilização dessa equação é feita por meio de subvenção aos prêmios pagos. Visto que a política agrícola brasileira apenas recentemente mudou seu enfoque de subvenção do crédito para o seguro e há uma carência de informações de produtividade agrícola, apenas uma pequena parcela (24%, sendo 12% em seguro privado e 12% do Proagro) das lavouras brasileiras é segurada. A comparação com os 92% de cobertura de lavouras americanas mostra a exposição climática que temos.

O crédito: O produtor brasileiro não tem liquidez. Ele tem um grande patrimônio – sua terra. Para produzir a safra, ele depende de dinheiro de um grande volume de capital de giro para comprar sementes, fertilizantes e defensivos, que geralmente são financiados. Pode-se dizer que o mais importante insumo para safra brasileira é, no final, o crédito. Por conta disso, o custo do crédito impacta diretamente a rentabilidade do produtor rural. Uma maior taxa de juros, real ou oculta, reduz margens. As taxas de juros livres praticadas na agricultura eram, até pouco tempo, incompatíveis com as margens dos produtores, motivo pelo qual o crédito subsidiado era tão importante. Agora, o crédito subsidiado tanto encareceu quanto minguou, forçando produtores a buscar financiamento privado – o qual a Lei do Agro (antiga MP 897/19, agora Lei 13.986/20) deve potencializar.

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Vale mencionar que a perpetuação de cada uma dessas questões auxilia a continuidade das demais. Margens menores causadas por armazenagem, crédito e logística caros ou ineficazes, reduzem a oportunidade de investimento dos produtores com capital próprio. 

Com menos investimento, ele continuará com baixa capacidade de armazenagem e crédito caro, mantendo suas margens baixas. As margens baixas dificultam a contratação de seguros climáticos, mantendo produtores e, consequentemente, toda a cadeia, exposta ao clima. Por sua vez, a ausência de seguro agrícola contribui para maior insegurança, elevando o custo do crédito, que passa a computar o risco de perda atribuído a ele.

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Qual a solução? Planejamento baseado em dados concretos

Conhecendo efetivamente a capacidade produtiva de uma propriedade, o credor tem segurança de financiar uma produção que sabe que será lucrativa, podendo adequar a negociação, quando preciso, mesmo durante o desenvolvimento da safra. Com mais crédito disponível, o produtor tem opções de fazer estratégias mais inteligentes que permitem que, através de boas escolhas, aumente sua margem de lucro, gerando assim um ciclo virtuoso para o agro.

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