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No artigo passado falei sobre os quatro problemas que afetam a agricultura no nosso país. Hoje, quero dar um pouco mais de destaque em uma das questões que costuma tirar a tranquilidade do produtor e tem sido um problema agravado pela situação atual: o escoamento da produção agrícola. 

Estradas sem pavimentação ou em mal estado de conservação, ferrovias, portos e aeroportos sem infraestrutura adequada. Essas são realidades que fazem parte do cotidiano que os responsáveis pelo transporte enfrentam no Brasil.

Com toda essa dificuldade de escoamento, se encarece o que é produzido, fazendo com que nossas commodities percam, muitas vezes, a competitividade para outros países, nos casos de exportação. Não é de hoje que pesquisas revelam que bem mais de 10% do faturamento bruto de uma produção agrícola se destina para a logística. 

Na safra de 2019/20, o Brasil deve passar os Estados Unidos na produção de soja, se tornando o maior produtor mundial dessa cultura. No entanto, estamos longe de ter a logística mais eficiente. Nos últimos anos, o custo para se exportar uma tonelada de soja no Brasil tem sido de cerca de US$83, enquanto os americanos pagam US$23 e os argentinos, terceiro maior produtor da commodity, gastam em média US$40.

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Muitas vezes a situação chega a ser insustentável, principalmente com o meio rodoviário que ainda detém a liderança do escoamento, atendendo cerca de 65% da demanda nacional. Não é preciso andar muito pelo Brasil para encontrar produtores rurais que se uniram para realizar obras em rodovias que estavam intrafegáveis, colocando em risco toda a produção, principalmente em época de chuvas.

Apesar do esforço individual, isso não basta! Se nada for feito para reverter essa situação, com o crescimento da produção, os problemas podem se agravar ainda mais. 

Segundo dados já divulgados pela CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), e pelo Conselho do Agro, a safra brasileira de grãos de 2029/30 deverá ser de 308,5 milhões de toneladas, o que representa um aumento de quase 30%, se comparado com a safra 2018/19. 

A projeção mostra que o Centro-Oeste deverá ter um aumento percentual de produção de 45%, e o Sul, incremento de 35% da produção. As duas regiões deverão ser as principais responsáveis por essa performance.

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Temos dois caminhos que levam para destinos bem diferentes: ou o Brasil aumenta o investimento na logística, com melhor infraestrutura e planejamento, ou grande parte do nosso custo de produção será logístico, reduzindo nossa competitividade externa em um cenário no qual diversos países já se preparam, de diversas maneiras, para o forte crescimento e potencial do Brasil.