É fato que o produtor brasileiro carece de capital próprio para custear sua lavoura, falei bastante sobre isso no último artigo. Levando em consideração todas as dificuldades que agem diretamente no faturamento do produtor, está cada vez maior a sua dependência de crédito. Diante dessa realidade, a opção é buscar crédito com uma compra em prazo safra ou um financiamento.

Agravando ainda mais a situação, neste momento, muitos produtores estão sofrendo as consequências do distanciamento social. Primeiro, porque o fechamento de bares e restaurantes durante a pandemia tem afetado de maneira direta os produtores de bens perecíveis como frutas e hortaliças, segundo a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil).

Em segundo, porque compramos muitos de nossos insumos, como fertilizantes e defensivos, com preços baseados no dólar, em alta histórica. Principalmente quando falamos da produção para consumo interno, ou seja, onde produtos são vendidos em reais, o impacto da compra em moeda americana é bastante alto.

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Todo esse cenário gera uma grande preocupação: como custear a próxima safra?

Os órgãos governamentais estão agindo para tentar fazer com que o crédito chegue ao produtor. No Congresso, por exemplo, algumas medidas – como prorrogar o vencimento de operações de crédito rural pelo período de um ano -, estão em pauta.

Foi criada também uma linha especial de crédito para agricultores familiares (Pronaf) com taxas de juros de 4,6% ao ano, com prazo para pagamento de três anos, incluindo um de carência. O limite será de R$20 mil para o pequeno produtor e R$40 mil para o médio (Pronamp), que tem taxa de juros de 6% ao ano.

Em outra vertente, o produtor rural busca cada vez mais alternativas para os meios tradicionais de financiamento. Mesmo com a prática de negociar sua compra de insumos diretamente com as revendas, garantindo o pagamento com o cedimento de suas CPRs para recebimento no final da safra, o produtor tem que buscar outras fontes para adquirir itens como os fertilizantes, que tem pouca oferta de negociação no mercado.

A MP do Agro, agora oficialmente Lei do Agro, por exemplo, abriu as portas do mercado de capitais como fonte de financiamento para os produtores. Segundo a Bancada Ruralista no Congresso, a lei pode ampliar em R$5 bilhões as receitas de financiamento para o agro no Brasil.

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O grande objetivo de todas essas ações, assim como o de tantas outras, é não onerar o produtor rural nesse momento, para que ele tenha opções de crédito para poder trabalhar.

Os riscos serão maiores nessa época, consequentemente, as taxas dos financiamentos também. É preciso ter controle e monitorar cada uma das fases de desenvolvimento da safra. Mas com o produtor obtendo recursos para financiar sua próxima lavoura, tendo tempo e calma para honrar com suas dívidas, o agro continuará sendo o braço forte da economia do Brasil.