Enquanto vários setores sofrem consequências econômicas devido a pandemia que enfrentamos, o agro segue forte. Segundo uma estimativa da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), o PIB do agronegócio deve crescer 2,3% em 2020. Mas, mesmo com o crescimento do setor, existem preocupações.

A pandemia trouxe uma grande dificuldade na obtenção de crédito, principalmente por parte do sistema financeiro convencional, ainda inseguro quanto à retomada econômica. O produtor rural brasileiro, que depende do crédito para o custeio da safra, está se apoiando mais uma vez nas operações de barter, isto é, quando utiliza sua produção futura como pagamento para a compra dos insumos dos quais precisam.

De acordo com os especialistas de mercado, essa modalidade de negociação possui participação expressiva, por exemplo, na indústria dos defensivos. Estima-se que 20% a 25% dos negócios realizados são feitos através do barter, principalmente em culturas como algodão e soja. No caso do café, a participação pode chegar a 70%.

Apesar de ter como uma de suas funções a mitigação de riscos – fixando o preço e removendo os riscos cambiais e de commodity -, as operações de barter são, em sua essência, um viabilizador comercial. O produtor depende delas para obter seus insumos, enquanto a revenda não consegue vender seus produtos de outra maneira.

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O barter é mais arriscado durante a pandemia?

É claro que fatores como a falta de crédito bancarizado e a oscilação do dólar e das commodities podem afetar diretamente o lucro dos produtores, mas é justamente na facilitação desse crédito alternativo e na mitigação de riscos que o barter se destaca. Até mesmo o risco de crédito intrínseco às vendas em prazo safra é mitigado com o conhecimento aprofundado da capacidade real de produção e histórico da terra, e os recursos tecnológicos têm papel fundamental nesse processo.

Tamanha essa atratividade do barter que percebe-se um renovado estímulo à operação  por parte das grandes indústrias do agronegócio.

Carlos Branduliz, gerente de operações de barter da Bayer no Brasil, em entrevista ao Valor Econômico,  declarou que o crescimento das operações de barter na empresa foi, nas últimas três safras, de 50% ao ano.

O diretor financeiro da Syngenta no Brasil, Leandro Serau, também disse que o aumento das operações de barter já foi sentido em 2020. Com exceções pontuais ligadas a perdas decorrentes da seca, que afetou sobretudo o Rio Grande do Sul, o cumprimento dos contratos foi extremamente positivo.Não foi fornecido texto alternativo para esta imagem

Mesmo com alguns pontos graves a serem resolvidos, como a possibilidade que a Lei do Agro abriu para inclusão das CPRs nas recuperações judiciais, o barter está sendo a salvação do produtor durante difíceis períodos de crise.

Ao usar sua própria produção como pagamento futuro para o custeio da safra, o produtor rural tem recursos para poder trabalhar. Cabe às revendas e distribuidoras analisarem com precisão cada uma das negociações, usando recursos tecnológicos para análise da propriedade, para escolher garantias seguras e precificar de maneira justa as operações.