Como falei no artigo passado, a operação de barter, um viabilizador comercial onde o produtor paga a compra de insumos com parte da sua futura produção, pode ser uma aliada em tempos de pandemia, em que a oferta de crédito pelo mercado convencional está escassa.

A operação está sendo cada vez mais procurada e as revendas, de certo modo, ficam “presas” nesse tipo de transação pois, ou fazem isso, ou tem a chance de perder vendas para os concorrentes.

Diante desse cenário, fica a questão: dessa maneira, essas revendas não ficam expostas ao risco? A resposta é sim! Mesmo com o distribuidor recebendo o título do produtor que “garante” o pagamento através de parte da próxima produção, ele acaba assumindo riscos. Se a safra quebrar, por exemplo, devido a questões climáticas, a revenda vai deixar de receber, acarretando prejuízos.

Como amenizar esses riscos?

Uma das formas mais eficientes é a antecipação de recebíveis. Esse tipo de transação vem ganhando espaço no mercado. O serviço funciona da seguinte maneira: as CPRs (Cédulas de Produto Rural) recebidas pelas distribuidoras são analisadas com o uso de tecnologias, como a de análise e cruzamento de dados. Após se certificar sobre o risco que a operação envolve, a CPR é negociada com o mercado de capitais, que paga diretamente para a revenda.

A operação melhora a relação entre as partes, fortalecendo o agronegócio e as transações financeiras.

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No caso da TerraMagna, que também oferece esse tipo de antecipação, depois do risco de cada CPR ser analisada com o uso da nossa tecnologia, conectamos os títulos aos fundos de investimentos que podem fazer a “compra” e antecipar o pagamento para as revendas. Todo o procedimento é realizado com total segurança e acompanhamento, para garantir tranquilidade a todas as partes envolvidas.

Quais as vantagens para as revendas?

Dentre as várias vantagens que o processo traz, quero destacar três que são essenciais para a mudança do ciclo atual de negociação:

1. A revenda recebe no início da safra. Isso faz com que, ao comprar os insumos de uma indústria, ela possa negociar descontos para compra à vista – que podem chegar a 15%. A saúde financeira melhora como um todo, saindo do risco e tendo caixa no começo da safra.

2. A revenda se livra do risco, seja de inadimplência ou de quebra de safra. Se o produtor não conseguir arcar com os pagamentos, não é mais de responsabilidade da revenda. É mais ou menos como a relação de um cartão de crédito, depois que a loja recebeu, se o dono do cartão não pagar, é problema entre ele e a operadora do cartão, não da loja. Nesse caso, entre o produtor e quem comprar os recebíveis.

3. Tendo acesso ao capital, a revenda tem autonomia e liberdade para escolher os insumos de sua preferência, trabalhando com diferentes marcas.

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Testar e aplicar novos métodos é essencial para a evolução do agronegócio. A antecipação das operações de barter vem para unir o melhor de dois mundos: a viabilização comercial dos insumos para o produtor, com o fornecimento de caixa para as revendas.