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Agricultor em um trator preparando terras agricolas com sementeira para a agricultura organica

Agricultura orgânica: por uma produção livre e sustentável

A agricultura orgânica é um setor em crescimento, e seus produtos têm conquistado cada vez mais espaço na mesa dos consumidores que buscam uma alimentação saudável. 

Neste artigo, vamos apresentar esse sistema produtivo, suas características e o modo de funcionamento, além das vantagens e desvantagens do modelo. Continue a leitura a seguir.  

O que é agricultura orgânica? 

O termo “agricultura orgânica” é utilizado de maneira ampla para fazer referência às diversas formas não industriais de agricultura

Essa modalidade de produção propõe a utilização de formas tradicionais de cultivo, de maneira ecologicamente sustentável e sem recorrer a produtos químicos. 

O segmento atende a uma demanda crescente da população por uma alimentação natural e mais saudável, que privilegie o bem-estar dos consumidores. 

A agricultura orgânica propõe um cultivo que respeite o meio ambiente, preserve a biodiversidade, conserve as propriedades do solo e otimize o uso de recursos naturais

Além disso, a agricultura orgânica deve garantir o respeito à integridade cultural das comunidades rurais e adotar formas de trabalho que promovam qualidade de vida. 

No Brasil, o conceito de sistema orgânico de produção abrange a agricultura ecológica, biodinâmica, natural, regenerativa, biológica, agroecológica e a permacultura.

Veja também: Tipos de agricultura sustentável

Características da agricultura orgânica 

A agricultura orgânica recusa a utilização de agroquímicos como fertilizantes, defensivos, reguladores de crescimento e aditivos para alimentação animal compostos sinteticamente. 

Preza-se pelo equilíbrio ecológico e pela biodiversidade, com o estabelecimento de uma interação harmoniosa entre plantas, animais e solo que resulta em um agrossistema sadio. 

A promoção da fertilidade do solo e preservação da qualidade das águas também são característicos do sistema de produção orgânico.

Além disso, a agricultura orgânica busca um resultado socialmente justo, com relações de trabalho dignas, consumo responsável e relação direta entre produtor e consumidor final. 

Qual é o objetivo da agricultura orgânica? 

O art. 1º, §1º, da  lei 10.831/03, que regulamenta a agricultura orgânica no Brasil, explicita a  finalidade do sistema de produção orgânico

Apresentamos resumidamente alguns de seus pontos principais:

  • Promover um uso saudável do solo, da água e do ar, com redução ao mínimo da contaminação desses elementos. 
  • Garantir a oferta de produtos saudáveis, livres de contaminantes intencionais. 
  • Incrementar a atividade biológica do solo, além de manter ou incrementar sua fertilidade a longo prazo. 
  • Promover a diversidade biológica dos ecossistemas ligados ao sistema de produção orgânico. 
  • Basear-se em recursos renováveis.  

Como funciona a produção de alimentos orgânicos?

A produção de alimentos orgânicos deve considerar alguns aspectos da propriedade rural, como solo, relevo, vegetação, fauna, localização, vizinhança e mananciais hídricos. 

A água deve ser proveniente de fontes biológica e quimicamente puras (livres de resíduos de agrotóxicos), o que deve ser comprovado por análises laboratoriais. 

Caso contrário, os alimentos podem conter traços de agroquímicos, e isso impediria sua certificação como produto orgânico. 

Outra medida a ser tomada é a proteção da área de plantio pela construção de barreiras vegetais que impeçam a contaminação proveniente da pulverização de defensivos em propriedades vizinhas. 

A barreira vegetal também funciona como parte da diversidade de espécies vegetais, promovendo a presença de inimigos naturais de pragas.

A agricultura orgânica baseia-se no policultivo, no consórcio de espécies ou na diversificação de atividades. Esses fatores promovem um ciclo que favorece a sustentabilidade.

A diversificação de culturas é um ponto central para manter a fertilidade do solo, além de atuar no controle de pragas e doenças. 

O produtor deve atentar à diversificação e à adequação das espécies vegetais e animais às condições da região. 

A propriedade rural deve obedecer às regras do Código Florestal Brasileiro, respeitando Áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal.

Para iniciar as atividades, o produtor deve apresentar um Plano de Manejo Orgânico à certificadora que irá validar seus produtos. 

Recomenda-se que o agricultor busque assistência técnica para orientá-lo na elaboração do plano e na condução da implantação do sistema de produção orgânico. 

Principais técnicas empregadas na agricultura orgânica

As sementes e mudas utilizadas na produção, sempre que possível, devem ser orgânicas. 

As mudas podem ser produzidas na própria unidade de produção ou obtidas de outros produtores orgânicos. Deve-se optar por variedades resistentes a doenças.

Caso não haja disponibilidade de sementes e mudas orgânicas, a preferência deve ser por materiais não expostos a agrotóxicos ou a outros insumos não autorizados pela legislação. 

Em nenhuma hipótese deve-se empregar sementes ou mudas transgênicas, uma vez que o uso de organismos geneticamente modificados é proibido na agricultura orgânica.

Preparo do solo

O cuidado com o solo tem uma importância especial na agricultura orgânica. Recomenda-se que o solo esteja coberto por resíduos vegetais ou por plantas vivas. 

Para impedir a ocorrência de erosão e evitar o arraste de matéria orgânica da superfície do solo, são utilizadas técnicas como instalação de canais de drenagem, instalação de faixas de vegetação e plantio em terraços ou em nível.

O solo descoberto está sujeito à erosão, à perda de fertilidade, além da redução da presença de micro-organismos favoráveis ao seu equilíbrio. 

Outra prática utilizada na agricultura orgânica é a rotação de culturas, que promove o aproveitamento de minerais provenientes das diferentes culturas rotacionadas.

Além disso, a rotação de culturas auxilia no controle de pragas, quando são empregadas espécies vegetais não suscetíveis às doenças da cultura anterior. 

O pousio também pode ser utilizado para a recuperação do solo, deixando a terra apenas com sua cobertura natural ou com o plantio de leguminosas. 

Outras práticas empregadas são o plantio direto e o cultivo mínimo, já que reduzem o revolvimento do solo e promovem sua integridade. 

Adubação orgânica 

A fertilização do solo na agricultura não industrial é feita pela adubação orgânica, realizada principalmente com a utilização de estercos de animais e restos vegetais. 

Também é permitida a utilização de compostos minerais de baixa solubilidade, como pós de basalto, granito, silvinita, carnalita e fosfatos naturais. 

Os produtos utilizados devem estar de acordo com as normas previstas na legislação e com as regras da entidade certificadora. 

Confira a seguir formas de adubação orgânica:

  • Estercos: os mais utilizados são os de origem bovina e aviária em forma sólida ou líquida.
  • Composto: formado por camadas de esterco de animais alternadas com outros materiais, como restos de vegetais, serragem, bagaço e palha.
  • Biofertilizantes: são feitos a partir de materiais orgânicos como esterco, melaço, leite e vegetais, que são adicionados a minerais, proporcionando nutrição aos cultivos. 
  • Húmus de minhoca: é obtido a partir da compostagem de esterco e palha onde são introduzidas minhocas. Posteriormente, é feita uma nova compostagem, e as minhocas seguem sendo alimentadas com restos orgânicos. 
  • Composto laminar com esterco: nessa forma de adubação, restos de vegetais são deixados sobre o campo em processo de fermentação. Pode haver a incorporação de esterco ao material. 
  • Adubação verde: consiste no emprego de plantas para melhora do solo, como leguminosas e gramíneas, proporcionando nitrogênio e biomassa. Pode ser feita por meio de rotação de culturas, de pousio, de consórcio com outras culturas, etc. 

Controle de pragas na agricultura orgânica

De acordo com Francis Chaboussou, o aparecimento de doenças na planta e seu ataque por pragas são causados por um desequilíbrio fisiológico do vegetal. 

Esse desequilíbrio pode ocorrer por fatores como exposição da planta a agrotóxicos ou uso excessivo de adubos nitrogenados.

Esses fatores causam a disponibilidade de substâncias simples e solúveis em plantas, como açúcares e aminoácidos livres. 

A presença dessas substâncias é essencial para o estabelecimento de pragas, já que estas não têm a capacidade de decompor substâncias complexas e insolúveis. 

Dessa forma, plantas cultivadas por um manejo adequado e em estado bioquímico equilibrado não estão suscetíveis ao ataque de pragas e doenças.

Considera-se que o manejo de pragas e doenças na agricultura orgânica deve ser feito de forma preventiva. Podem ser empregados como métodos de controle:

  • Caldas bordalesa, sulfocálcica e viçosa: possuem ação biocida e efeito repelente, além de atuarem como fertilizantes que estimulam a síntese de proteína nas plantas.
  • Controle biológico: é feito por intermédio da introdução de inimigos naturais de pragas na área de cultivo. Alguns dos agentes utilizados são Metarhizium anisopliae, Beauveria bassiana, Trichoderma e Bacillus thuringiensis
  • Biofertilizantes: além de serem empregados na adubação orgânica, promovem o aumento da resistência contra pragas e doenças por auxiliarem no equilíbrio do vegetal. 
  • Outros métodos para redução de insetos: para evitar a presença de insetos que atuem como praga, podem ser usados iscas atrativas, armadilhas luminosas, placas adesivas coloridas e ensacamento de frutos.  

Diferenças entre agricultura orgânica e convencional

O sistema de produção orgânico obedece à lei 10.831/03, e os alimentos cultivados nesse modelo passam por um processo de certificação que garante a sua procedência. 

Como vimos, a agricultura orgânica não emprega agrotóxicos e tem como objetivo oferecer produtos saudáveis e livres de contaminantes aos consumidores. 

A agricultura convencional faz uso de produtos químicos em seu processo produtivo, como fertilizantes e defensivos agrícolas, que devem ser utilizados de acordo com procedimentos que garantam sua segurança. 

No entanto, práticas como uso excessivo de agroquímicos e inobservância de prazos de carência podem fazer com que os alimentos contenham resíduos desses compostos.

A preocupação crescente dos consumidores com as consequências desses resíduos para a saúde humana gera o aumento da demanda por produtos orgânicos. 

Além disso, a sustentabilidade promovida pela agricultura orgânica também é um fator que influencia a preferência dos consumidores. 

Vantagens

A agricultura orgânica promove a preservação do meio ambiente, a manutenção da fertilidade do solo, o respeito à biodiversidade e o uso responsável de recursos naturais.  

Além disso, o setor de orgânicos tem experimentado um grande desenvolvimento devido ao aumento de sua procura por consumidores que buscam alimentos saudáveis e seguros. 

De acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o número de produtores orgânicos cadastrados cresceu 450% nos últimos 12 anos

Em 2022, o Cadastro Nacional de Produtores Orgânicos (CNPO) conta com a inscrição de mais de 26 mil produtores orgânicos. 

Apesar disso, de acordo com a Embrapa, a produção brasileira de orgânicos ainda se situa abaixo da média internacional em termos de toneladas produzidas por hectare. 

Esse dado indicaria uma oportunidade de expansão do sistema de produção orgânico brasileiro e a possibilidade de ocupar um espaço mais relevante no mercado internacional.

Dessa forma, escolher a agricultura orgânica pode ser uma opção vantajosa para o produtor rural que preza pelo desenvolvimento sustentável. 

Desvantagens da agricultura orgânica

As desvantagens da agricultura orgânica que listamos aqui se referem a dificuldades enfrentadas pelos produtores para sua adoção. 

Entre os obstáculos, estão o acesso a sementes orgânicas e o conhecimento das técnicas adequadas de manejo de pragas e dos produtos autorizados para o cultivo de orgânicos.

Além disso, há dificuldade em obter mão de obra qualificada e assessoramento técnico para implantação do sistema de produção orgânico. 

Outro fator de embaraço é o acesso a subsídios governamentais que apoiem a agricultura orgânica, assim como os custos despendidos no processo de certificação. 

Conclusão

No presente artigo, apresentamos o sistema orgânico de produção e os principais pontos que devem ser observados para seu funcionamento. 

A agricultura orgânica representa um esforço para promover uma alimentação sadia, livre de agrotóxicos, com respeito ao meio ambiente e com um resultado socialmente justo. 

O crescimento do setor atrai a atenção de produtores, técnicos agrícolas e distribuidores de insumos que atuam com produtos fitossanitários aprovados para a produção orgânica. 

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