Grande motor da economia brasileira, o agronegócio é um setor que naturalmente apresenta riscos. Em situações como a quebra de safra por fenômenos climáticos – como foi a estiagem histórica deste ano que fez com que o Rio Grande do Sul tivesse uma produção de soja 46% menor que a do ciclo anterior, segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Soja -, o produtor rural pode ver sua produção comprometida. Isso faz, consequentemente, com que o distribuidor de insumos tenha problemas no recebimento durante uma operação de barter, quando o produtor paga os insumos com a futura colheita dos grãos.

É importante garantir o que é controlável

Apesar de previsões bastante precisas em vários casos, não temos como controlar o clima, por exemplo. No entanto, podemos controlar diversos outros fatores que poderiam levar o distribuidor ao prejuízo.

Se antes de aceitar uma CPR (Cédula de Produto Rural) – documento que oficializa a operação de barter, garantindo a entrega da produção ao final da safra -, o distribuidor usar recursos tecnológicos como o monitoramento via satélites para poder garantir que a área do acordo é cultivável e para estimar precisamente seu potencial de produção, boa parte dos problemas que podem gerar a inadimplência já são resolvidos.

O distribuidor não precisa abrir mão da venda ao se deparar com uma área com produção menor do que a esperada. Ele pode optar por fazer negociações menores ou usar outras áreas como garantia. Ou seja, não é preciso deixar de vender, apenas fazer as operações de forma mais assertiva, se baseando em dados concretos.

A tecnologia nos oferece recursos para que possamos fazer essa avaliação de maneira profunda, completa e individual. É possível analisar a área total de uma fazenda, em qualquer lugar do Brasil, em poucos minutos. Através dessa verificação é possível checar se um produtor que teve problemas na última safra, sofreu com um fator pontual ou se historicamente apresenta um rendimento abaixo do esperado.

Medindo os riscos

Esse poder de mensurar os riscos com a tecnologia, eliminando fatores que poderiam comprometer a execução da garantia, é o que está aproximando o mercado de capitais ao agronegócio.

Investimentos mais tradicionais baseados na Selic, por exemplo, atualmente em 2% ao ano, estão cada vez menos atraentes, fazendo com que os investidores busquem alternativas mais rentáveis. E o receio que sentiam em investir no agro, devido ao possível risco, está cada vez mais sendo eliminado pela segurança e transparência que a tecnologia oferece.

Dessa maneira, distribuidores trabalham com operações mais seguras, investidores têm novas opções com boa rentabilidade e o produtor, uma das peças fundamentais do agro, adquire recursos para trabalhar e expandir seus negócios.