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Formiga sauva coberta por gotas de agua

Saúva: conheça essa praga e suas principais formas de controle

O impacto da saúva na agricultura é observado desde a época colonial, sendo hoje uma das principais pragas que podem acometer os cultivos agrícolas. 

No presente artigo, apresentaremos as saúvas, suas principais espécies, a organização de seu trabalho em funções e sua reprodução. 

Além disso, informaremos os principais métodos existentes para combatê-las. 

O que é saúva?

A saúva é um tipo de formiga-cortadeira presente em quase todos os países da América. 

Essas formigas são conhecidas como cortadeiras porque costumam cortar folhas e
carregá-las para dentro de seus ninhos. 

Elas fazem isso com a finalidade de nutrir um fungo que é o seu verdadeiro alimento, tendo com ele uma relação mutualista. 

Seu formigueiro é intrincado, contando com diversas câmaras e organizado por uma divisão do trabalho. 

Por ter ocorrência em grande parte do Brasil e buscar alimento durante todo o ano, a espécie representa uma grande preocupação para os produtores rurais.

O ataque da saúva pode causar o desfolhamento total ou parcial da planta, e suas investidas podem significar a perda de parte da produção e a ocorrência de prejuízos financeiros

Segundo dados da Revista Pesquisa Fapesp, os formigueiros podem causar sérios danos por hectare.

Estima-se que um formigueiro com apenas três metros de profundidade pode causar uma perda de três toneladas por hectare em uma cultura de cana-de-açúcar a cada ano.

Já um formigueiro de sete metros de profundidade pode atingir uma área de cem metros quadrados, contendo dois milhões de formigas

Um formigueiro com essas características pode consumir cerca de uma tonelada de massa fresca vegetal anualmente. 

Segundo documento da Embrapa, estima-se que são necessárias 86 árvores de eucalipto para abastecer uma única colônia de saúva

A espécie Eucalyptus grandis pode perder até 79,7% de seu volume de madeira após três desfolhamentos consecutivos causados pelos ataques das formigas. 

Posição sistemática da saúva e principais espécies:

A posição sistemática da saúva é: Reino Animalia, Filo Arthropoda, Classe Insecta, Ordem Hymenoptera, Família Formicidae, Subfamília Myrmicinae, Tribo Attini, Gênero Atta.

As principais espécies presentes no Brasil são:

  • saúva mata-pasto (atta bisphaerica);
  • saúva-parda (atta capiguara);
  • saúva-cabeça-de-vidro (atta laevigata);
  • saúva-limão (atta sexdens rubropilosa);
  • saúva-preta (atta robusta);
  • saúva-do-sertão-do-Nordeste (atta opaciceps);
  • saúva-da-mata (atta cephalotes).

Divisão do trabalho 

Cada sauveiro possui uma rainha, que é a única responsável pelos ovos da colônia. A divisão de trabalho abarca seguintes funções:

  • realização da forragem, que é a busca por folhas e outras partes de vegetais e seu transporte para o ninho;
  • proteção do formigueiro de ameaças pelo grupo de soldadas;
  • higiene da colônia por meio do descarte de lixo constituído por folhas consumidas, fungo seco, além de larvas e formigas adultas mortas;
  • fragmentação das folhas e sua disposição para nutrir o fungo;
  • cuidado dos ovos, larvas e filhotes. 

Essa divisão relaciona-se com fatores como idade e tamanho das formigas. As tarefas listadas são realizadas por fêmeas estéreis. 

Reprodução e formação do novo sauveiro 

Cada colônia dá origem a formas sexuadas, sendo elas as fêmeas, chamadas de içás ou tanajuras, e os machos, conhecidos como bitus. As fêmeas darão início a novas colônias.

Durante os meses de outubro a dezembro, ocorrem os voos nupciais ou revoadas. 

Após a fecundação, os machos morrem e as fêmeas arrancam suas asas e procuram um local para a formação de um novo ninho.  

Os espermatozoides do macho são guardados em um órgão da içá chamado espermateca.

Antes de deixar a colônia de origem, a futura rainha recolhe uma parcela do fungo e o armazena em sua cavidade bucal.

Ao cavar a primeira câmara da nova colônia, a fêmea simultaneamente tapa a abertura do canal. Logo em seguida, ela regurgita a parcela do fungo e começa a depositar seus ovos. 

Após certo tempo, com o surgimento dos primeiros indivíduos adultos, dá-se início à coleta de folhas com as quais o fungo será nutrido. 

A partir disso, ocorrem a expansão e o desenvolvimento do novo sauveiro. 

Por que eliminar completamente a saúva não é desejável?

Apesar do conhecido potencial de destruição da formiga saúva, a sua eliminação completa não é benéfica. 

Essas formigas cumprem uma importante função no ambiente ao promover a fertilização do solo e deixá-lo aerado

Dessa forma, o ideal seria estabelecer um nível de controle sobre o formigueiro de forma a mantê-lo em um grau de atividade que não cause prejuízo à cultura agrícola.

Assim, as formigas do gênero Atta podem continuar proporcionando fertilidade ao solo, mantendo-se o equilíbrio e a biodiversidade

Como realizar o controle da formiga saúva?

O controle de Atta pode ser feito de forma mecânica, cultural, química ou biológica. Confira a seguir cada um dos métodos em detalhes. 

Controle da saúva por método mecânico

O controle da saúva por método mecânico consiste na escavação do formigueiro para identificação e eliminação da rainha.

Isso pode ser feito apenas na fase inicial do formigueiro, quando este tem até quatro meses e a rainha encontra-se a uma distância de centímetros da superfície do solo. 

O monitoramento das culturas para identificar o aparecimento dessa formiga deve ser constante.  

Controle cultural de formigas saúvas

Um método de controle cultural é o plantio de vegetais que servem de alimento alternativo para as formigas. 

Algumas dessas plantas têm propriedades tóxicas para as saúvas. Também é possível utilizar vegetais que funcionam como seus repelentes

Sementes de gergelim preto podem ser espalhadas nas bordas dos canteiros. Após seu crescimento, suas folhas serão atrativas para as formigas, que as levarão ao formigueiro. 

As folhas desse vegetal são tóxicas para o fungo que serve de alimento às formigas, levando ao fim da colônia.

Cana-de-açúcar, leucena e mandioca podem ser plantadas em conjunto com a cultura principal, pois atrairão a preferência da saúva.

Os seguintes preparos podem ser feitos para serem utilizados como repelentes de formigas: 

  • Angico: misturar 1 kg de folhas de angico em 10 litros de água por 8 dias. Aplicar 1 litro da mistura por m² de formigueiro. 
  • Mamona: macerar 300 gramas de folhas de mamona e acrescentar a 10 litros de água. Deixar descansar por 24 horas. Aplicar 1 litro da mistura a cada olheiro do formigueiro. 
  • Sisal: triturar 5 folhas médias e acrescentar a 5 litros de água. Deixar de molho por 5 dias. Aplicar no olheiro principal e tapar a saída dos demais. 

Método de controle biológico

Algumas pesquisas investigam o uso de agentes biológicos para a realização do controle das espécies de Atta.

O besouro Canthon virens, presente no Cerrado, poderia vir a ser utilizado com esse fim, já que ele preda as fêmeas de saúva imediatamente após a fase de seu voo nupcial. 

Depois da revoada, as içás são decapitadas pelo besouro e levadas até os seus ninhos para servir de alimento a suas larvas. 

Outra linha de investigação trabalha com a descoberta de fungos entomopatogênicos, capazes de causar enfermidades em insetos. 

Duas espécies em investigação são a Beauveria bassiana e a Metarhizium anisopliae.

Método de controle químico da saúva

O uso de defensivos agrícolas é considerado o método mais eficiente para controle de formigas-cortadeiras como a saúva. 

Conforme dados da Revista Pesquisa Fapesp, temos a aplicação de 25 mil toneladas de formicidas químicos anualmente, o que mobiliza cerca de 100 milhões de dólares. 

O principal produto utilizado são as iscas granuladas, que correspondem a 70% do mercado. 

São aplicadas 18 mil toneladas de iscas por ano, movimentando 70 milhões de dólares anuais. 

A utilização de pó seco compreende 20% das vendas de formicidas, enquanto líquidos termonebulizáveis representam 10% do mercado. 

Falaremos de cada um dos produtos mencionados a seguir. 

Iscas granuladas

As iscas granuladas consistem em um ativo tóxico em conjunto com um substrato atrativo para as formigas. 

O inseticida pode ser diluído em óleo de soja e acrescentado ao substrato, em geral uma polpa cítrica como a de laranja. 

A formiga saúva irá recolher a isca e levá-la para o interior do formigueiro até as panelas de fungo.

Por isso, as iscas devem ser utilizadas quando as formigas estiverem em atividade, ou seja, circulando em busca de folhas. Caso contrário, haverá desperdício do produto. 

As iscas devem ser posicionadas perto dos olheiros e das trilhas de transporte de folhas. 

A isca age principalmente na formiga do tipo jardineira, responsável pelos cuidados do fungo. 

Ao fracionar as iscas para posicioná-las junto ao fungo, as jardineiras são intoxicadas. Com sua morte, o formigueiro padece por falta de alimento. 

Recomenda-se seguir estritamente as instruções contidas na embalagem do produto quanto à sua forma de aplicação e dosagem

A subdosagem pode acarretar o insucesso da aplicação, com posterior ressurgimento das formigas. 

Atenção para cuidados importantes:

  • Utilizar apenas produtos registrados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). 
  • As iscas podem causar contaminação da água e de alimentos. Também podem ser tóxicas para outros animais. Recomenda-se o uso de porta-iscas.
  • As iscas não devem ser tocadas com as mãos, pois isso pode resultar em uma modificação de seu odor, o que causa rejeição pelas formigas saúvas. 

Pó seco

O formicida em forma de pó seco solto é aplicado por meio de polvilhadeiras, que são bombas que insuflam o produto no interior do formigueiro através de mangueiras. 

Esse método não deve ser utilizado em solo úmido, pois o pó irá aderir às paredes do formigueiro.

Também não deve ser utilizado em colônias muito profundas, sendo eficiente até 2,5 metros de profundidade. 

Termonebulização 

Nesse método, um formicida em estado líquido é transformado em vapor por meio de um aparelho chamado termonebulizador.

O vapor é introduzido nos olheiros através de um cano, de forma que todo o formigueiro seja tomado pelo produto. 

À medida que a fumaça estiver saindo através dos olheiros e rachaduras do formigueiro, cada um destes deve ser tampado. 

No momento em que esse processo tiver ocorrido com todos os olheiros e frestas da colônia, deve-se parar a aplicação e vedar o olheiro principal. 

A termonebulização é altamente eficiente, havendo a interrupção imediata das atividades da colônia. 

No entanto, possui a desvantagem de ter um custo elevado, sendo indicada para casos de formigueiros que atinjam grandes dimensões e infestações relevantes de saúva. 

Observe-se que é preciso adotar medidas de prevenção para evitar malefícios à saúde causados pela fumaça tóxica. 

A importância do uso de EPIs 

Os trabalhadores que forem atuar na aplicação dos defensivos químicos precisam utilizar equipamentos de proteção individual (EPI). 

Deve-se consultar as indicações do produto sobre o tipo de EPI que deve ser utilizado. 

As principais vias de absorção dessas substâncias são olhos, pele, mucosas e vias respiratórias. 

Reforçamos que é imprescindível utilizar somente produtos registrados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). 

Conclusão 

No presente artigo, nós conhecemos a formiga saúva e as principais formas de realizar o controle desse inseto, que pode se tornar uma importante praga para a lavoura. 

Como vimos, o mercado de defensivos movimenta cerca de 100 milhões de dólares anuais para evitar os prejuízos advindos da perda da produção pelo ataque dessa formiga.

O investimento para aquisição de insumos e para contratar profissionais que orientem o controle de pragas deve ser bem-planejado. 
Os especialistas da TerraMagna estão a postos para ajudá-lo, disponibilizando opções de crédito de forma simples e sem burocracia.

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