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Larva verde em tronco

Larva: conheça as espécies que afetam a produção agrícola

Será que uma pequena larva pode causar danos severos à atividade agrícola? Em que medida esses seres podem resultar na redução da produtividade das lavouras?

No presente artigo, investigamos a relação entre a agricultura e os organismos que atuam como pragas em cultivos agrícolas durante a fase larval. Continue a leitura para saber mais!

O que é larva?

O desenvolvimento dos animais pode ser classificado como direto e indireto.

No desenvolvimento direto, os indivíduos jovens chegam à fase adulta sem passar por modificações extremas e com basicamente a mesma organização corpórea. 

No desenvolvimento indireto, o processo de passagem para a vida adulta é marcado por modificações intensas chamadas de metamorfoses.

Durante os estágios de desenvolvimento, o animal passa por mudanças acentuadas de aparência e de comportamento, principalmente em relação a seus hábitos alimentares.

Um desses estágios de desenvolvimento é a forma de larva, etapa em que há um acúmulo de reservas nutricionais que permite a transição do indivíduo para a forma adulta.

Em algumas espécies, como cracas e poliquetas, a forma de larva permite a distribuição geográfica do animal, já que este se torna imóvel quando adulto. 

As larvas também são caracterizadas por possuírem órgãos provisórios que são substituídos por definitivos durante o processo de metamorfose.

As larvas de algumas espécies de insetos podem apresentar um comportamento voraz e, por isso, trazer danos à atividade agrícola. 

O estágio de larva e a agricultura

Nesta seção do artigo, apresentamos os impactos que certas espécies podem causar na agricultura durante a fase larval. Conheça os exemplos a seguir. 

Larva-alfinete (Diabrotica speciosa)

A espécie Diabrotica speciosa é conhecida em sua fase larval como larva-alfinete e, na fase adulta, como vaquinha-verde-amarela ou patriota.

A denominação “alfinete” faz referência ao caráter alongado da larva, que pode atingir 12 mm de comprimento. A fase pupal desenvolve-se no solo e dura em média 12 dias. 

As larvas alimentam-se das raízes das plantas, o que prejudica sua capacidade de absorver nutrientes do solo e inviabiliza seu desenvolvimento normal.

Na cultura de milho, o ataque da larva causa uma deformação conhecida como “pescoço de ganso”, em que a planta assume uma forma recurvada.

Os indivíduos adultos também causam danos aos cultivos por meio de perfurações a folhas, flores e frutos. 

De acordo com a Embrapa, quando a infestação por Diabrotica speciosa é intensa, pode haver um prejuízo superior a 70% na cultura de milho

Corós 

Coró é um nome popular dado à larva de escaravelhos (famílias Scarabaeidae e Melolonthidae). 

As larvas possuem um aspecto recurvado, em formato de “C”, e seu tamanho varia em relação à espécie.

Podem viver no solo, em madeira podre ou em ninhos de aves ou de insetos, como formigas. 

A espécie Diloboderus abderus (coró-das-pastagens) utiliza a palha para construção do ninho e alimentação de larvas jovens. A ocorrência da espécie é associada ao plantio direto.

Causam danos por consumir sementes, raízes e partes de plantas, que carregam para galerias permanentes no solo.

A espécie Phyllophaga triticophaga é conhecida como coró-do-trigo e tem esse nome por ter sido observada pela primeira vez nessa cultura. É polífaga e tem hábitos rizófagos.

Pode ocorrer tanto em sistemas convencionais como no plantio direto. Beneficia-se de solos não compactados e vive perto da superfície do solo. 

Os danos são causados primordialmente pelas larvas que se alimentam de raízes, sementes e partes aéreas de vegetais de pequeno porte. 

Podem causar danos como morte de plântulas, redução do porte de plantas e do tamanho de espigas, tombamento por falta de raízes, etc. 

Além do trigo, podem acometer as culturas de centeio, aveia, cevada, soja, milho, etc. 

De acordo com a Embrapa, uma população entre 25 a 30 corós/m² pode significar uma redução superior a 50% no rendimento das culturas de grãos

As larvas da espécie Phyllophaga Cuyabana (coró-da-soja) são polífagas e podem
alimentar-se de raízes secundárias de soja, milho, girassol e plantas daninhas

Na cultura da soja, o ataque de Phyllophaga Cuyabana manifesta-se por meio de manchas que podem alcançar diversos hectares. 

Seus efeitos podem ser falhas nas lavouras, redução do porte dos vegetais, redução no tamanho de vagens, redução do tamanho e do número de grãos por planta, etc. 

Segundo a Embrapa, em culturas de soja infestadas desde a semeadura, com uma população média de 20 corós/m², houve uma redução de 50% da capacidade produtiva das plantas atacadas

Larva minadora dos citros (Phyllocnistis citrella

Possui corpo de aparência transparente, o que torna difícil sua identificação na folhagem. Pode medir entre 2 mm e 3 mm. 

Ao alimentar-se, a larva forma uma galeria entre a epiderme superior e inferior das folhas, região chamada de parênquima foliar. 

O ataque da larva minadora pode causar redução da área foliar, causando prejuízo da capacidade de realizar fotossíntese e redução da produtividade da lavoura. 

Segundo a Embrapa, na cultura de laranjas, uma redução de 30% da área foliar causa a perda de produção do ano seguinte.   

Ainda de acordo com a instituição, a infestação de uma larva por folha causa uma redução de produtividade de até 20%. A presença de duas a três larvas por folha reduz a produção de laranjas em 40%.

Já a presença de sete larvas por folha pode levar à perda de 100% da cultura de laranjas. 

De acordo com a Embrapa, a ocorrência de Phyllocnistis citrella em associação com a bactéria Xanthomonas campestris pode levar a epidemias de cancro cítrico. 

Larva-arame

As larvas-arame são um estágio de desenvolvimento dos insetos da família Elateridae, conhecidos como vaga-lumes. Podem medir entre 6 mm e 19 mm.

As larvas possuem uma apresentação esbranquiçada no início de seu desenvolvimento e, posteriormente, tornam-se amarronzadas. 

Sua fase larval é longa, com duração de dois a cinco anos. Apenas as larvas são consideradas uma praga agrícola, enquanto os indivíduos adultos não causam danos.

Atacam em especial as culturas de milho, trigo, arroz e batata. Alimentam-se de sementes e raízes, o que pode causar uma nutrição inadequada da planta e falta de sustentação.

Podem ocorrer danos diretos, como desenvolvimento anormal e morte dos vegetais, e danos indiretos, como a facilitação da entrada de patógenos no local atacado pela larva. 

Larva-angorá (Astylus variegatus)

As larvas da espécie Astylus variegatus possuem pelos marrons na extensão de seu corpo e, por isso, recebem a alcunha de “angorá”. Podem chegar a medir 14 mm.

Possuem vida subterrânea, e a fase larval da espécie pode durar até um ano. 

A espécie pode atacar diversos tipos de cultivo e é considerada uma praga secundária do milho, causando prejuízos mais expressivos somente com grandes infestações.

Alimentam-se sobretudo de sementes de milho antes da germinação, o que causa a redução do número de plantas na lavoura. 

Realização do manejo de pragas em fase de larva

A realização do controle de pragas deve ser feita por meio de uma associação de estratégias, conforme prevê o manejo integrado de pragas (MIP).  

Para os corós, recomenda-se a identificação da espécie presente na lavoura a fim de distinguir aquelas que atuam como pragas e as que apenas consomem material orgânico.

É fundamental a realização de práticas de amostragem e de monitoramento do nível populacional para a tomada de decisão de controle. 

O controle químico é considerado eficaz, em especial com o tratamento de sementes. Essa estratégia também é indicada para prevenir os danos causados pela larva-angorá.  

No caso de larvas de Diabrotica speciosa, uma opção eficiente é a aplicação de inseticidas granulados ou a pulverização no sulco de semeadura em culturas de milho e batata. 

Também é recomendável o uso de variáveis resistentes para controle de insetos-praga, tática que tem a vantagem de não ser poluente.

O tratamento de sementes também é utilizado para controle da larva-alfinete; no entanto, no caso do milho, os inseticidas não têm demonstrado persistência suficiente no solo para proteção das raízes. 

Outra estratégia de controle de Diabrotica speciosa é o uso do milho transgênico, que expressa a toxina Cry3Bb1 e é responsável por conferir resistência à larva-alfinete. 

Veja também: Transgênicos: entenda qual é o debate a seu respeito

Para o controle químico da larva minadora dos citros (Phyllocnistis citrella), existem diversos tipos de inseticidas disponíveis que devem ser utilizados em conjunto com óleos minerais.

São eles os piretroides, organofosforados, neonicotinoides e reguladores de crescimento de insetos. 

O destaque no controle dessa larva fica com a microvespa Ageniaspis citricola, que é seu inimigo natural e foi introduzida por pesquisadores da Embrapa, Esalq/USP e outras organizações em 1998.

Com relação à larva-arame, deve-se considerar o fator umidade para a realização de seu controle. 

A suspensão da irrigação pode fazer a larva migrar para camadas mais profundas do solo e reduzir os ataques às raízes das plantas. 

Além disso, medidas de controle devem ser empregadas de forma preventiva na semeadura. 

O tratamento de sementes e os inseticidas granulados são citados como métodos de controle aplicáveis para a larva-arame.  

Uso de larvas para alimentação animal

As larvas podem ser uma aliada da agropecuária ao servirem como uma fonte de alimentação rica em proteína na criação de animais. Confira os exemplos a seguir.

  • Larvas de mosca-soldado-negro (Hermetia illucens): são utilizadas na alimentação de animais terrestres e aquáticos por terem um teor de proteína superior a 40%. Também são utilizadas para redução do volume de dejetos na criação de animais.  
  • Larvas de mosca doméstica (Musca domestica): podem ser usadas na alimentação de animais como peixes, rãs, galinhas e pássaros. 
  • Larvas da farinha (Tenebrio molitor): são produzidas comercialmente para a alimentação de animais de estimação e de zoológico. Estima-se que seu teor de proteína seja de 58%.

Conclusão

No presente artigo, exploramos a relação entre a fase de larva de certos organismos e a agricultura.

Apresentamos espécies que podem causar danos aos cultivos agrícolas e mostramos que esses seres também podem ser benéficos quando utilizados para a alimentação animal. 

O controle de pragas deve considerar todas as etapas do ciclo de vida dos insetos e integrar diferentes estratégias para manter a lavoura livre de infestações.

Assim, os produtores rurais e os distribuidores de insumos devem ficar atentos para a realização do combate de pragas em fase larval. 

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