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Lavoura de milhos trangenicos

Transgênicos: entenda qual é o debate a seu respeito

Desde 1998, o cultivo de transgênicos foi autorizado no Brasil. No entanto, ainda existe muito desconhecimento a respeito do assunto. 

Para a compreensão do tema, apresentaremos o conceito de organismo geneticamente modificado e descreveremos seu processo de criação.

Traremos, também, os principais argumentos favoráveis e desfavoráveis sobre sua utilização e a opinião dos consumidores a respeito da questão. 

Conceito de organismos transgênicos

É considerado um organismo geneticamente modificado (OGM) aquele que recebeu genes de outro organismo com o objetivo de obter características vantajosas. 

É o caso de plantas com resistência a doenças, intempéries climáticas e herbicidas. 

A transgenia pode ser empregada em organismos de espécies diferentes, como plantas, animais e microrganismos. 

Alterações genéticas sempre ocorreram na natureza, com as mutações. No caso dos transgênicos, essas alterações são criadas e controladas por meio de pesquisas científicas. 

A pesquisa de organismos geneticamente modificados pode ser dividida em três fases:

  • Os OGMs de primeira geração inovaram ao apresentar resistência a herbicidas, pragas e vírus. 
  • Já os OGMs de segunda geração foram desenvolvidos para promover maior valor nutricional aos alimentos. 
  • Os OGMs de terceira geração, por sua vez, são voltados para a fabricação de vacinas e medicamentos, além de servirem a aplicações industriais.  

Como é o processo de criação de transgênicos?

A primeira etapa para a criação de transgênicos é a identificação de um gene que seja responsável por manifestar uma característica que aprimore o organismo receptor

A segunda etapa é a inserção do gene escolhido nas células do organismo-alvo, que pode ser feita por diferentes técnicas. 

Uma forma de fazer isso é por intermédio de vetores como vírus e bactérias

É o caso da bactéria do solo agrobacterium tumefaciens, que transfere uma parcela de seu DNA para células vegetais. 

Outra técnica utilizada é a biobalística, em que projéteis de ouro ou tungstênio que contêm os genes de interesse são lançados contra as células do organismo receptor.

Nesse processo, também são lançadas enzimas que facilitam a incorporação do material genético. 

Já na eletroporação de protoplastos, impulsos elétricos são utilizados para criar poros na membrana plasmática do organismo receptor, permitindo a entrada dos genes de interesse. 

Essa técnica possui a vantagem de permitir a inserção de macromoléculas nos
organismos-alvo. 

A terceira etapa consiste na seleção in vitro das células que incorporaram os genes de interesse. 

Na quarta etapa, chamada de regeneração, vegetais transgênicos são obtidos integralmente pelo cultivo de fragmentos do tecido modificado. 

Em seguida, é necessário analisar se as características desejadas foram de fato expressadas ao final do processo.

Por último, temos os testes de biossegurança, que avaliam se os organismos geneticamente modificados representam risco à saúde humana, animal e ao meio ambiente. 

O papel da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio)

A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) é a instância responsável por implementar a Política Nacional de Biossegurança.

A instituição estabelece normas técnicas de segurança e emite pareceres técnicos para a autorização de atividades que envolvam pesquisa e uso comercial de organismos geneticamente modificados. 

No Brasil, as atividades que esses organismos e seus derivados são regulamentadas pela Lei de Biossegurança (Lei 11.105/05). 

A CTNBio emite decisão técnica, caso a caso, sobre a biossegurança de organismos geneticamente modificados e seus derivados, e é somente com a aprovação da comissão que os alimentos transgênicos podem chegar ao mercado. 

Argumentos favoráveis à produção de transgênicos

Confira a seguir alguns dos benefícios apontados por aqueles que defendem a segurança da utilização de organismos geneticamente modificados. 

A utilização de transgênicos promove a preservação do meio ambiente e torna as lavouras mais produtivas

Argumenta-se que o desenvolvimento de plantas resistentes a pragas representaria um menor uso de defensivos agrícolas.

Dessa forma, haveria uma diminuição do uso de água para a diluição desses defensivos e de combustível para sua aplicação. 

Assim, com o passar do tempo, o emprego de agroquímicos seria cada vez menor. 

Como exemplo disso, temos o feijão resistente ao vírus do mosaico-dourado, desenvolvido pela Embrapa.

A utilização do feijão modificado resultou em um menor uso de defensivos contra a
mosca-branca, responsável pela transmissão da doença.  

Até então, uma lavoura atingida por esse vetor poderia perder 100% da produção. 

Além disso, a utilização de transgênicos promoveria uma maior eficiência nas lavouras já existentes.

Isso reduziria a necessidade de expansão de fronteiras agrícolas e o desmatamento resultante desse processo. 

Desenvolvimento de alimentos com maior valor nutricional

Há uma vertente de pesquisas que busca o enriquecimento de alimentos com vitaminas

Um exemplo disso é a pesquisa da Embrapa de desenvolvimento da alface biofortificada, que aumentaria em até 15 vezes o teor de ácido fólico presente na verdura. 

Outro exemplo é o arroz dourado, que foi melhorado geneticamente para produzir
vitamina A, suprindo 60% da necessidade diária dessa substância. 

Superação de desafios alimentares

Com uma lavoura mais eficiente resultante do cultivo de vegetais transgênicos, os alimentos poderiam ser produzidos com um custo menor.

Uma produção de alimentos mais econômica resultaria em uma paulatina queda de preços para o consumidor

Além disso, os alimentos com biofortificação nutricional beneficiam uma parcela da população que não possui acesso a uma nutrição adequada. 

Dessa forma, os alimentos biofortificados poderiam contribuir para a diminuição do problema da fome.

Os alimentos transgênicos sofrem um rigoroso processo de aprovação 

Argumenta-se que a Lei de Biossegurança brasileira é uma das mais rigorosas do mundo

Os alimentos são analisados de maneira sistemática, passando por numerosos estudos e pela aprovação da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança.

É somente após esse processo que os produtos podem ir para a mesa dos consumidores. 

A biotecnologia voltada para a saúde permite a fabricação de vacinas e outros medicamentos

A mesma tecnologia empregada na produção de plantas geneticamente modificadas é utilizada na área da saúde. 

Os chamados biofármacos, ou medicamentos biológicos, são produzidos a partir de microrganismos ou células geneticamente modificadas.

Sua aplicabilidade se estende a vacinas, diagnósticos, terapias celulares, células-tronco, entre outras práticas. Um exemplo é a insulina humana, comercializada desde 1982. 

Além disso, a pesquisa de biofármacos pode representar a redução do preço de medicamentos

Segundo a Embrapa, os custos de produção de proteínas recombinantes poderiam ser reduzidos em até 50 vezes com a utilização de biofábricas.

Uma biofábrica consiste na utilização de vegetais, animais e microrganismos transgênicos para a produção de insumos.  

A vacina contra a hepatite B e o hormônio do crescimento (hGH), utilizado para o tratamento de nanismo, são outros exemplos de utilização da tecnologia de transgenia.  

Destaca-se que vacinas utilizadas contra a covid-19, como a Oxford, também foram fabricadas com essa tecnologia.

Argumentos desfavoráveis à produção de transgênicos

Conheça, a seguir, a perspectiva daqueles que levantam pontos de crítica ao emprego de organismos geneticamente modificados. 

Efeitos a longo prazo para a saúde e o meio ambiente

A incerteza a respeito das consequências do uso de transgênicos para a saúde humana e para o meio ambiente é um dos pontos de desconfiança em relação à sua utilização. 

Considera-se que, ao incorporar um novo gene, o organismo modificado geneticamente pode manifestar outras características além das pretendidas

Também se questiona a interação dos OGMs com o meio ambiente. 

Por exemplo, há debate sobre as consequências da introdução, em um hábitat, de uma planta modificada com característica inseticida e seu impacto na cadeia alimentar.

Aponta-se que a interação dessa planta com o meio poderia resultar em um desequilíbrio ambiental.

Ambientalistas e entidades de defesa ao consumidor defendem o princípio da precaução, presente na Lei de Biossegurança.

Segundo esse princípio, na ausência de certeza científica formal, a existência de um risco de um dano sério ou irreversível requer a implementação de medidas que possam prevê-lo. 

Aumento de alergias alimentares e de resistência a antibióticos

Os alimentos transgênicos podem produzir novos compostos e proteínas que causam alergias alimentares

Por exemplo, um OGM produzido com genes de castanhas-do-pará pode provocar reação alérgica nos consumidores que possuem sensibilidade à substância. 

Além disso, os genes marcadores utilizados em OGMs podem conferir resistência a antibióticos

Esses genes são utilizados como forma de identificar se a modificação genética foi feita com êxito. 

Como os antibióticos também são utilizados nos tratamentos de seres humanos, há uma preocupação com a diminuição da efetividade desses medicamentos.  

Aumento da utilização de agrotóxicos

Ao contrário do afirmado por aqueles que defendem o uso de OGMs, setores críticos apontam que a utilização de defensivos agrícolas teria aumentado. 

O emprego de plantas modificadas para serem mais resistentes a agrotóxicos teria feito com que a aplicação dessas substâncias fosse intensificada. 

Por exemplo, o uso de soja transgênica resistente ao glifosato teria expandido o uso desse produto nas lavouras. 

Com a ampliação dos resíduos de agrotóxicos nos alimentos, haveria a imposição de um risco para a saúde dos consumidores.

Contaminação de lavouras

As sementes e o pólen de vegetais transgênicos podem ser transportados pelos ventos e por agentes polinizadores, atingindo lavouras tradicionais. 

Esse processo contamina as sementes naturais e pode prejudicar a  biodiversidade. 

Além disso, agricultores dedicados ao cultivo agroecológico podem ter o seu produto descaracterizado, perdendo contratos e, consequentemente, sofrendo perdas financeiras. 

O processo de descontaminação é dispendioso e quase inacessível para a agricultura familiar. 

Os custos da produção de transgênicos para os produtores rurais

A pesquisa e a regulamentação de uma planta transgênica envolvem altos custos. 

A participação no desenvolvimento dessa tecnologia não é acessível para todos os produtores, estando restrita a poucas empresas. 

Além disso, existe o custo de aquisição de sementes e o pagamento de royalties por sua utilização. 

Questiona-se o impacto desses gastos para os pequenos produtores e a sua dependência em relação às grandes empresas do setor.

Dados sobre transgênicos no Brasil e a opinião de consumidores sobre o tema

Segundo o Serviço Internacional para Acesso às Aplicações Agrobiotecnológicas (ISAAA), desde 2009, o Brasil é o segundo maior produtor mundial de transgênicos, atrás apenas dos EUA. 

De acordo com essa ONG, em 2019, a área plantada com soja modificada no Brasil superou pela primeira vez a norte-americana, atingindo 35,1 milhões de hectares. 

Naquele ano, 52,8 milhões de hectares no país foram dedicados à agricultura transgênica, o que correspondia a 27,7% da área total dedicada ao gênero no mundo.

Mas qual é a opinião dos consumidores sobre essa controvérsia? 

Uma pesquisa realizada em 2020 pelo The Good Food Institute em parceria com o IBOPE abordou a percepção dos consumidores brasileiros.  

  • Apenas 9% afirmaram já ter lido e pesquisado muito sobre transgênicos.
  • 57% dos entrevistados afirmaram que já ouviram ou leram sobre o assunto.
  • Já 34% nunca pesquisaram sobre o tópico. Concluiu-se que, de modo geral, o consumidor não é informado sobre o tema.
  • A maioria dos consumidores não soube se posicionar quando perguntados se são saudáveis (53%), seguros (57%) ou bons para o meio ambiente (55%).
  • 41% dos entrevistados consideram-se indiferentes em relação a evitar alimentos que contenham ingredientes transgênicos

Conclusão

Neste artigo, vimos o que são transgênicos, seu processo de criação e os pontos centrais levantados no debate sobre o tema. 

É possível constatar que a questão possui muitas nuances e que é preciso discuti-la de forma informada e responsável.

Também podemos perceber que o tópico tem repercussões econômicas para os diferentes perfis de produtores rurais.

A adoção desse gênero de agricultura pode significar tanto o aumento dos lucros quanto a ocorrência de prejuízos. Por isso, é preciso entender sobre o assunto e suas implicações.

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